29 de outubro de 2009

1º Trabalho - O Leão de Nemeia e o signo de Leão

Decidimos seguir a ordem dos doze trabalhos de Hércules tal como aparecem na lenda dos 12 Trabalhos, em vez de o fazer cronologicamente e no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio, que é, evidentemente, o dos doze signos do Zodíaco. Deste modo compreenderemos melhor o percurso iniciático que representa este ciclo mítico e as valiosas informações que cada um de nós pode obter dele por si mesmo, lançando-se no universo do Zodíaco e dos astros.

O primeiro trabalho que Hércules teve de cumprir foi matar e esfolar o leão de Nemeia, "um animal gigantesco com uma pele impossível de atravessar, nem com ferro nem com bronze, nem com pedra. Segundo alguns, o leão tinha nascido de Tifon (demónio nascido de dois ovos que Cronos ofereceu a Gea para se vingar de Zeus, o qual tinha morto os seus filhos, os Titãs), segundo outros de Quimera (animal fabuloso e aterrador, meio cabra, meio leão, meio serpente, filha de Tifon) e do cão de Ortro (também filho de Tifon, do qual algumas lendas rezam que era pai da Esfinge de Tebas); segundo outros, ainda, Selene (ou a Lua, filha de Hélios, o Sol) tremeu de horror ao trazê-lo ao mundo e deixou-o cair ao chão sobre o monte de Tretos, próximo de Nemeia, ao lado de um gruta de dupla entrada; e, para castigar o seu povo por não ter feito um sacrifício, fez com que o leão devorasse todos os seus habitantes.
Hércules chegou a Nemeia ao meio-dia, mas, como o leão tinha despovoado todos os arredores, não encontrou ninguém que o informasse e, além do mais, não viu nenhum vestígio de animal.
Hércules foi ao monte de Tretos e ali avistou o leão que voltava ao seu covil, todo manchado de sangue da sua última vítima. Lançou flechas ao animal, mas fizeram ricochete na sua densa pele sem o ferir, e o leão limitou-se a lamber as costelas enquanto bocejava. Em seguida, utilizou a sua espada, que se dobrou como se fosse de lata, e finalmente, puxou da sua clava e acertou um golpe tão forte sobre a cabeça do leão que este entrou no seu covil de dupla saída sacudindo a cabeça, não de dor mas porque os ouvidos zumbiam. Hércules, depois de olhar tristemente para a sua clava já inutilizada, dispôs uma rede numa das saídas do covil e entrou pela outra.
Sabendo já que nenhuma arma serviria contra o monstro, agarrou-o com os braços e iniciou uma luta corpo a corpo. O leão arrancou-lhe um dedo mas Hércules já lhe tinha agarrado a cabeça e, num último esforço, apertou-lha com tanta violência que sufocou o animal.
Durante um certo tempo, Hércules viu-se numa situação embaraçosa porque não sabia como esfolar o leão, até que, por inspiração divina, lhe veio a ideia de utilizar as próprias garras do animal, afiadas como uma navalha, e rapidamente pôde cobrir-se com a sua invulnerável pele e fazer um escudo, utilizando a cabeça do leão como capacete. Assim relatou o escritor Robert Graves a luta de Hércules contra o leão.

Interpretação do primeiro trabalho e analogias com o signo de Leão
Vamos revelar os principais símbolos que existem em torno da história deste primeiro trabalho, procurar os seus significados e, depois, concentrarmo-nos na lição que todos podemos tirar dela, sobretudo os nativos de Leão ou para quem este signo tenha uma grande importância no seu mapa astral. Depois, faremos o mesmo com os restantes onze trabalhos em relação com os restantes onze signos do Zodíaco.
Quem é Tifon? É um monstro mitológico, nascido da cólera de Hera (recorde-se que Hércules significa"glória de Hera"). Tem aparência humana, mas os seus dedos são cabeças de dragão e a parte inferior do seu corpo, desde a cintura até aos tornozelos, está rodeada de serpentes. Tem asas e os seus olhos despedem chamas. É de uma altura gigantesca, o seu corpo pode cobrir metade da Terra.
Simboliza os impulsos instintivos irreprimíveis, destruidores, a violência emocional que devasta tudo à sua passagem. O famoso leão de Nemeia é filho de Tifon. Dito de outra forma, foi gerado pelas forças instintivas descontroladas, comparáveis aos fenómenos da natureza e aos efeitos dos cataclismos, os quais ninguém consegue fazer parar.
O regente do signo de Leão é o Sol, que representa a vontade instintiva do indivíduo no mapa astral. O signo de Leão é o lugar onde a vontade do homem (que revela o seu livre arbítrio) pode tomar as forças instintivas, descontroladas, imprevisíveis, respondendo às suas necessidades vitais, as leis da mãe natureza que cria e destrói, dá e tira, gera e regenera permanentemente, leis que são também as do destino.

O leão devora todos os habitantes da região de Nemeia, pois estes não fizeram um sacrifício. Simbolicamente, este facto - causa do drama que ocorre nesta lenda - tem um sentido concreto: não se deve deixar de fazer sacrifícios às forças instintivas, impetuosas, emocionais que cada um de nós tem dentro de si, porque senão corremos o risco de se virarem contra nós, mais cedo ou mais tarde, e ainda mais fortes e mais violentas. Não podemos viver sem elas porque são vitais.

Hércules não encontra ninguém para perguntar onde se encontra o leão. Se rejeitarmos ou inibirmos estas forças instintivas, não só seremos suas vítimas, como nos confundirão. Já não saberemos onde se escondem. Podem surpreender-nos, devorar-nos ou destruir-nos em qualquer momento.
Isto é o que acontece com os orgulhosos e as atitudes tirânicas para as quais o nativo de Leão pode propender.

Hércules surpreende finalmente o Leão mas não consegue vencê-lo com as suas armas: arco, espada, clava. Acaba por estrangulá-lo numa luta corpo a corpo em que mata o animal. As armas são evidentemente, os atributos dos guerreiros e sempre foram consideradas, simbolicamente, como os instrumentos do espírito e do intelecto. Sem dúvida porque, graças à sua inteligência, o homem as criou. O arco e as flechas representam as ideias, a espada representa as escolhas, as decisões, a justiça, e a clava, o poder do conhecimento. Por isso, não é empregando estas armas, frutos do espírito, que o homem pode vencer as forças instintivas irreprimíveis e violentas que tem dentro dele. Mas confundindo-se com elas, lutando corpo a corpo, utilizando as suas próprias armas. Agarrando o leão de Nemeia com os seus próprios braços, Hércules oprime-o. Exerce o seu domínio, a sua própria força contra ele. É assim que o vence.
Encontramo-nos na presença de um símbolo idêntico ao representado no XI arcano maior do Tarot, a Força. É o princípio supremo a que todo o nativo de Leão pode aceder ou o que pode aprender com o seu signo: unicamente a firmeza de espírito criadora pode vencer a força destruidora.

Uma inspiração divina dita a Hércules que utilize as próprias garras do leão para o esfolar, com o fim de se cobrir com a sua pele invulnerável e fazer um capacete com a sua cabeça. Uma vez vencidas as forças instintivas e os impulsos, então pode utilizar as suas próprias armas contra as mesmas para as despojar de tudo o que as torne vulneráveis. Com a sua cabeça faz um capacete, símbolo de invulnerabilidade, mas também de invisibilidade. Neste ponto, o homem converteu-se no senhor dos seus instintos, mas também do seu destino, pode expressar o seu livre arbítrio, isto é, a sua vida instintiva, sem medo de ser importunado, invadido, submergido, ofuscado, devorado ou destruído pelo poder da sua grande deusa Terra, a mãe natureza, visto que cobriu a sua pele, pelo que se parece com ela sendo ele mesmo.

16 de setembro de 2009

Hércules e o Zodíaco

Fig:- Estátua de Hércules que se encontra no Vaticano.
Durante os meus anos de trabalho fui acumulando "toneladas" de folhas e livros que reservava para uma leitura mais atenta e aprofundada na altura da minha aposentação e é isso que agora está a acontecer e que me está a deixar muito feliz pois estou a encontrar coisas engraçadas, outras interessantes, em que a maior parte delas já se me tinham varrido completamente da memória.
É o caso de uma dúzia de folhas soltas, que me caíram de dentro de um livro, que não faço a menor ideia onde fui buscar mas que têm a particularidade de fazer a comparação entre os 12 trabalhos de Hércules e os signos do Zodíaco.
Vou compartilhar estes apontamentos convosco e, se alguém souber a origem agradecia que me informasse pois acho que se deve dar "o seu a seu dono".
Vamos começar por falar dessa figura mítica que foi Hércules e do Zodíaco.
Todos nós conhecemos Hércules, o herói da mitologia grega, o semideus com uma força muscular excepcional. Tal como Tarzan e Zorro, nos anos cinquenta e sessenta, esta personagem também fez parte do panteão dos heróis de certos filmes que fizeram a alegria de crianças e adolescentes da época. Obviamente, os argumentistas daqueles filmes, pouco escrupulosos, não hesitaram em fazer uma interpretação muito aberta e, no mínimo, muito abusiva, das lendas da mitologia grega, principalmente dos doze trabalhos que desempenhou o mito de Hércules.
Seria preferível não chamar Hércules a este semideus, mas sim Héracles, em grego. Com efeito, foram os Romanos que, muito mais tarde, o baptizaram com este nome. No entanto, é assim que agora é conhecido, é assim que aparece nas enciclopédias quando se refere a sua lenda e a dos doze trabalhos, e o melhor é não lançar mais confusão e concentrarmo-nos no dito ciclo. Efectivamente muitos são os indícios que nos dão a entender que representa as doze etapas que o homem deve ultrapassar no caminho em direcção à libertação, ao conhecimento, à verdade ou, se preferir, segundo uma interpretação mais espiritual ou mística, as doze provas que a alma tem de superar para se libertar do corpo, abandonar o seu invólucro carnal, deixar de ser vítima dos seus desejos, paixões, do bem, do mal e do ciclo eterno, sem fim, dos renascimentos.
Muito antes de serem interpretadas pelos psicanalistas e psicólogos contemporâneos, como tantas outras projecções da psique humana, as divindades e as suas aventuras sobrenaturais eram consideradas pelos nossos antepassados como representações míticas das virtudes e fraquezas dos homens e mulheres, das suas alegrias e das suas tristezas, dos seus prazeres e sofrimentos, do bem e do mal de que eram capazes.
Historicamente, sabemos que o Zodíaco precedeu o Olimpo, mas também que um e outro provêm da mesma configuração mítica do mundo.. Assim, enquanto na astrologia conservámos até hoje os nomes dos deuses romanos para designar os astros que regem o Zodíaco, sabemos que estes foram traduzidos do grego.
Por exemplo, o Sol chamava-se Hélios; mas tal como o patenteamos no Zodíaco, as suas características têm mais a ver com o mito de Apolo do que com o de Hélios.
Efectivamente Apolo é um deus solar que apresenta numerosas semelhanças com Shamash, a divindade solar dos Acádios, ou Utu, o Sol segundo os Sumérios, enquanto Hélios é comparável a , o deus solar egípcio.
Como podemos ver, por razões cuja análise requereria demasiado espaço, os Gregos inspiraram-se tanto no panteão de deuses mesopotâmicos como no das divindades egípcias, para criar o seu próprio universo mítico e uma mitologia tão representativa, tão fiel às componentes da personalidade e aos comportamentos humanos que, durante muito tempo, na nossa mentalidade associaram-se a mitologia e a Grécia antiga.
No entanto, os Gregos não tinham a exclusividade da mitologia mas era um fenómeno inerente a todas as civilizações, todas as culturas e todas as épocas da história da Humanidade.

Quem é Hércules? - Nascido de um deus e de uma mortal, Hércules, ou Héracles para sermos mais exactos, é o que chamamos um semideus, ou seja, metade homem, metade deus. Segundo a lenda, Zeus, seu pai, o deus supremo do Olimpo, tomou o aspecto de Anfitrião para acasalar com a mulher deste, Alcmena, durante uma só noite, mas a qual fez durar 36 horas.
Para consegui-lo, abusou do seu poder sobre Hélios, o Sol, que recebeu ordens para não reaparecer antes deste lapso de tempo, e Hipnos, o Sono, a quem impôs prolongar o sono dos homens e dos deuses.
Quanto à Lua, ordenou-lhe que reduzisse o seu movimento de modo a barrar o regresso do Sol.
Como podemos ver Héracles foi um dos muitos filhos naturais de Zeus-Júpiter, e pode considerar-se que foi concebido com a cumplicidade do Sol e do Sono.
Nove meses depois, Zeus anunciou aos outros deuses do Olimpo que um filho seu estava prestes a nascer e que se chamaria Héracles, o que significava "glória de Hera". Hera era a irmã e esposa de Zeus, uma divindade lunar que para os Romanos tomou o nome de Juno. Por tudo isto podemos considerar que Hércules é, à priori, um ser lunar, astrologicamente situado sob a influência da Lua - personifica pela deusa cujo nome ostenta - e de Júpiter, ou seja, Zeus, o seu deus-pai.
Sublinhando este facto porque, como já precisámos, aquilo que atrai toda a nossa atenção na lenda de Héracles são os doze trabalhos e a analogia com os doze signos do Zodíaco.
No entanto, outro facto aparentemente sem importância - ao ponto de parecer ser ignorado por todos, hoje em dia - deve destacar-se relativamente ao nascimento do nosso herói mítico.
Com efeito, Hércules tinha um irmão gémeo a quem chamaram Ificles, ou seja "forte e glorioso" ou "potência célebre", e veio ao mundo no mesmo momento de Hércules.
Assim, à partida, o primeiro mito relacionado com Hércules é o dos gémeos, da dupla natureza, da dupla personalidade, que encontramos porque é filho de um deus e de uma mortal e, de alguma forma, nasce do encontro entre o Céu e a Terra. Não insistiremos na infância, na adolescência, na educação nem nas primeiras façanhas de Hércules, nem da pouca importância que as lendas deram ao seu irmão gémeo, o que prova que este último representa mais uma forma de dupla natureza do nosso herói.
Vamos descobrir como é que realizando os seus doze trabalhos, simbolicamente fez o percurso iniciático do ser em busca de si próprio e como cada um destes trabalhos está relacionado com um dos signos do Zodíaco.

20 de agosto de 2009

Eva deu a comer a Adão uma maçã

Embora a maçã se tenha tornado um símbolo de perda da graça, a história da tentação - contada no Génesis, III - não faz qualquer referência a uma maçã. Menciona simplesmente "o fruto da árvore que se encontra no centro do jardim", possivelmente uma figueira, já que Adão e Eva se cobriram com folhas de figueira depois de comerem o fruto.
É provável que se tenha generalizado a ideia de o fruto ser uma maçã devido à mitologia grega ou celta onde este fruto pertence às deusas do amor e simboliza o desejo. Quando, no século II, Aquilo de Pontus traduziu do hebreu para o grego "Os Cânticos de Salomão" alterou os versos "Criei-te debaixo da macieira; ali a minha mãe te gerou" para "Criei-te debaixo da macieira; ali tu foste corrompido" - interpretando o verso como estando a referir-se à árvore proibida.
São Jerónimo quando traduziu o Antigo Testamento para latim manteve a ideia e desde então, o fruto tem sido sempre considerado como sendo uma maçã.

19 de agosto de 2009

Maior Profeta da Europa

Michel de Nostredame - que posteriormente latinizou o seu nome para Nostradamus - nasceu em 1503, em St Remy de Provence. A sua família, inicialmente judia, converteu-se ao cristianismo e educou Michel como católico. Foi um estudante brilhante que adquiriu fama como médico no tratamento de doentes vítimas da peste.Os seus êxitos neste campo deveram-se, sem dúvida, à sua recusa em sangrar os pacientes - conceito muito revolucionário no começo do século XVI.
Mas não foi só neste aspecto que se antecipou aos conhecimentos do seu tempo. Afirmou que a Terra girava em volta do Sol 100 anos antes das descobertas de Galileu.
Os seus dons proféticos revelaram-se em 1555, quando publicou o primeiro de dez volumes, todos intitulados Centúrias. Cada um destes livros continha cem profecias e todas elas estavam escritas em verso.
Nostradamus nunca manteve secreta a técnica que empregava para prever o futuro. Colocava uma taça com água sobre um tripé de bronze e fixava-o de um modo semelhante à que os adivinhos usavam para lerem em bolas de cristal.
No entanto, havia previsões que lhe surgiam espontaneamente, em lampejos de intuição. Um dia, jovem ainda, viajava por Itália e, no seu caminho cruzou-se com um monge de nome Felice Peretti, para assombro deste e dos seus acompanhantes, Nostradamus ajoelhou-se e disse: "Ajoelho diante de Vossa Santidade". Em 1585 o monge tornou-se o papa Sisto V.
Numa outra altura, um jovem que fazia parte do séquito de Catarina de Médicis, chamou a sua atenção quando esta o visitou e segundo ele vaticinou que este jovem seria um dia rei de França. O jovem era Henrique de Navarra, que subiu ao trono como Henrique IV.
O profeta predisse a sua própria morte em 1566 provada por uma gota persistente que se transformou em edema mas, antes de morrer, mandou gravar uma data numa pequena placa de metal que deveria ser colocada consigo dentro do caixão. Em 1700, o caixão foi transferido da sepultura onde se mantivera durante 134 anos. A placa colocada sobre o esqueleto do profeta ostentava a data de 1700.
Para evitar ser acusado de feitiçaria pela Inquisição, Nostradamus alterou deliberadamente a data das suas previsões e escreveu uma mistura de símbolos, anagramas, francês antigo, latim e outras línguas. Esta confusão propositada tem dado ocasião a diferentes interpretações das suas profecias. mas, não se pode negar que, muitas das suas previsões se aproximam misteriosamente da realidade. Daí a sua fama de "Maior Profeta da Europa".

14 de agosto de 2009

Ailuromancia



Pois é verdade, a ailuromancia não é mais do que o conjunto de presságios relativos aos gatos.
Diz o provérbio que, de noite, todos os gatos são pardos e há quem pense que o surgir de um gato pardo no meio da noite é muito bom augúrio para a pessoa que o vê.
Segundo aquilo que se julga saber há 40 ou 45 milhões de anos aproximadamente, durante o período chamado Eoceno - em que tem lugar, entre outras coisas, a separação da América do Norte da América do Sul, devido ao afundamento da América Central, que provavelmente ocorreu devido à formação de barreiras no mar, ilhas, bancos de coral, ao desenvolvimento de muitas espécies novas de mamíferos - apareceram os miácidos. Estes pequenos carnívoros viriam a ser os longínquos antepassados dos ursos. lobos, hienas, doninhas, toupeiras... e dos gatos!
Temos que pôr a nossa imaginação a funcionar para conseguir ver em animais tão diferentes, um antepassado comum que pode ser considerado o antepassado de todos os carnívoros.
Os apaixonados incondicionais dos gatos domésticos, existentes em todo o planeta (em 1990 contavam-se mais de 400 milhões no mundo) têm uma certa dificuldade em pôr o seu gato ao mesmo nível, por exemplo, da hiena, animal este que não desperta muita simpatia entre os homens.

A domesticação do gato continua a ser um mistério. Não há nenhuma prova das razões que poderão ter levado o gato selvagem a aproximar-se do homem ou o homem a querer domesticá-lo. Mas, desde há 12 mil anos que o gato e o homem gostam um do outro. Pensa-se que, em meados do século XVIII antes da nossa era, mesmo antes do novo Império do Egipto, foi escolhida uma gata para representar a deusa Bastet, divindade que presidia aos nascimentos e que, até então, tinha sido representada por uma leoa. No entanto, existia também outra deusa, a temida Skehmet, cujo nome significava "a força", divindade guerreira e destruidora, que semeava a morte à sua passagem, segundo as crenças egípcias e que também era representada por uma leoa. Sem dúvida que os egípcios escolheram a gata para representar Bastet e para a poderem distinguir de Sekhmet. Há representações da primeira com corpo de mulher e cabeça de gato, ou de uma gata de aparência esguia de uma espécie chamada Felis silvestris libyca ou gato africano. Bastet era musical, alegre e fecunda portanto uma divindade bonita e boa.

Embora haja a possibilidade de que todas as espécies de gatos conhecidas nos dias de hoje tenham um antepassado comum, o gato africano que inspirou o povo egípcio, parece que estes pequenos felinos apareceram na Europa muito mais tarde. Pensa-se que tenha sido no início da Idade Média que o gato selvagem irrompesse na Europa vindo do Norte de África e, tanto foi considerado um animal benéfico e protector, como a encarnação da sombra, das forças do mal ou um animal diabólico.
Aos nossos antepassados, este animal não era considerado nem bonito nem familiar pois, caçava de noite, tal como o mocho, e gostava das mesmas presas que esta ave de rapina, daí muita gente ter visto no gato um seguidor do Diabo. Foi assim, muito fácil imaginar que o gato tinha poderes benéficos ou maléficos, consoante a interpretação que se quiser dar-lhe.

Surgiu então o nascimento da ailuromancia, ou seja, a ciência dos presságios relacionados com os gatos, alguns dos quais remontam à mais longínqua Antiguidade. Vejamos vários exemplos que chegaram até aos nossos dias, alguns dos quais continuam muito arreigados no espírito dos nossos contemporâneos, embora hoje os releguemos para a classe das superstições.
Há quem pense que um gato preto que se atravessa de repente no nosso caminho, estrada ou rua, irá anunciar uma morte próxima ou qualquer desgraça, ou a do gato que passa a pata por debaixo das orelhas depois de a ter lambido, para se limpar será um sinal de chuva.
Mas também há superstições que não são tão conhecidas:
Por exemplo, quando um gato que não o conhece o segue, evidentemente, sem que o tenha chamado, diz-se que é um sinal de boa sorte ou inclusive de uma entrada inesperada de dinheiro.
O mesmo gato preto, que se considera um mau augúrio se passar à nossa frente, é um presságio muito bom quando entra inesperadamente numa casa. Neste caso, é mensageiro de felicidade e de prosperidade para a família que vive nessa casa. Ver um sinal cinzento ou pardo é sinal de sorte.
Tendo o gato um instinto que o predispõe a ser especialmente receptivo às variações das pressões atmosféricas e às mudanças de tempo, existem no mundo inteiro muitos presságios meteorológicos relativos aos gatos, parecidos com os da pata por detrás da orelha. Na Europa, nos Estados Unidos, na China e na Rússia, por exemplo, acredita-se que se observarmos um gato a limpar-se, ao anoitecer, junto à lareira, se pode prever o tempo que irá fazer no dia seguinte....

11 de agosto de 2009

Meditação com o Louco

Depois de sentado/a, procurando não fechar o circuito energético, coloque O Louco à sua frente numa mesa, à altura dos seus olhos, para que o veja facilmente sem ter que alterar a postura. Com um fósforo, acenda uma vela amarelo pálida, a cor do arcano, e num queimador coloque algumas pedras de carvão onde queimará algumas gotas de gálbano, o perfume correspondente.

Centre a sua atenção na imagem do arcano e visualize como as suas formas e cores se intensificam. Imagine o quadro da carta a aumentar até ocupar todo o seu campo visual, e observe, demoradamente a cena aí retratada. Fixe a vegetação que aparece sobre o penhasco onde O Louco se mantém em equilíbrio, na sua variedade e cor, e depois, desloque a sua atenção para a matriz de quartzos.

Observe o cão, que parece querer prevenir o louco dançarino do perigo que o espreita, e a paisagem que se estende para lá do sopé do penhasco, as montanhas, o vale, o rio que serpenteia mansamente, e o céu crepuscular, em que os pássaros voam e as primeiras estrelas se perfilam. Sobre tudo isso, o Sol parece iluminar só a figura do louco que se enche com a sua luz. Agora, concentre-se no Sol, e permita que a sua luz o/a encandeie até sentir o formigueiro especial que já conhece e que obriga a fechar os olhos.

Neste momento, penetre no arcano e identifique-se com a figura de O Louco. Sinta a frescura do ar na sua pele, e como a Luz do Sol espiritual o/a inunda até entrar num estado de êxtase divino.

Neste estado, encontra-se completamente imune à dor, à ansiedade, ao medo e à depressão; só o/a invadem a luz espiritual e a confiança nos desígnios divinos. Contemple como a luz divina o/a eleva do solo e o/a atrai para si e, pouco a pouco, o/a transporta para lá do céu, para o espaço cheio de estrelas. Aí, sinta como o seu corpo se expande, como perde as suas células materiais e se transforma no espaço infinito, cujas células são as estrelas. Sinta o êxtase e a felicidade deste estado e permaneça nele durante algum tempo. para terminar, realize o percurso inverso até que, de novo, se encontre dentro da imagem de O Louco; não perca a sensação de felicidade.

Depois dê um passo atrás e saia da carta para se posicionar, de novo, no seu próprio corpo. Abra os olhos, devagar e, se necessitar de ajuda para sair do estado de meditação, bata no chão, com força, três vezes, com o seu pé direito.

Função do arcano:- Antidepressivo
Representa:- A força do espírito, não submetida ao raciocínio dos homens
Desperta:- Os estados de consciência transcendente, o Nirvana, o êxtase. A embriaguez divina. A criatividade e novos pontos de vista.
Desenvolve:- A jovialidade. A felicidade. A espiritualidade. A originalidade.

10 de agosto de 2009

Meditação com o Mundo

Sente-se comodamente em frente do arcano o Mundo colocado num suporte, sem cruzar os braços nem as pernas, com as mãos apoiadas nas coxas, para não interferir no circuito energético. Acenda com um fósforo uma vela azul violácea, a cor do arcano, e num queimador ou numa braseira coloque um pouco de incenso rei.

O arcano O Mundo tem duas funções: uma espiritual e evolutiva, na qual trataremos de adquirir uma maior consciência cósmica, e outra, mais material e prática: a protecção das suas propriedades.

Relaxe-se profundamente. Observe atentamente o arcano e dê maior atenção aos pormenores, às formas e às cores. Olhe como cresce e abrange todo o seu campo visual; tudo na imagem respira vida: a mulher parece ordenar as estrelas com a sua varinha e, enquanto dança, do seu cabelo surge a esfera das estrelas, que cintilam repletas de energia. Ao compasso do bailado, as rosas semeiam o espaço infinito de cor e de vida.

À sua volta, as quatro bestas vigiam e limitam a área da Criação. A imagem torna-se mais nítida e parece recuperar vida; retenha o seu olhar na luz que surge das mãos da bailarina: obriga a fechar os olhos e provoca um formigueiro no sobrolho, projectando-o/a para o interior do arcano.

Identifique-se com a bailarina cósmica e sinta que se torna uma luz branca que se estende até ao infinito e que contém tudo o que foi criado. Inverta agora a polaridade e imagine que a luz se torna na escuridão do vazio infinito: o nada prévio a qualquer manifestação. Volte agora a identificar-se com a luz branca da criação, e perceba no seu interior tudo o que se criou sob o comando desta luz: experimente o Todo em si.

Depois dê um passo atrás e saia da meditação, regressando ao seu mundo quotidiano com uma maior consciência.

Se a meditação vai servir para proteger as suas propriedades, não se identifique com a bailarina; visualize só as coisas por detrás dela, protegidas pela sua longa cabeleira escura; não realize este exercício com outras pessoas, mesmo que seja de boa fé, pois ninguém é propriedade sua. Perceba como o poder que emana das bestas sagradas rodeia e protege todos os seus haveres.

Mas se o que deseja é vender ou oferecer qualquer destes bens protegidos, imagine que os retira do arcano, pois no caso contrário ser-lhe-á muito difícil desligar-se deles.

Função do arcano:- Guarda de valores
Representa:- A consciência cósmica, a dança da vida, o Nirvana, o Tau. O domínio sobre as leis da matéria. Os planos da existência.
Desperta:- A iluminação. O conhecimento. O encontro com Deus. O final da evolução.
Desenvolve:- Concentração. Autocontrolo. Estabilidade. Poderes paranormais.

9 de agosto de 2009

Meditação com o Julgamento


Sente-se sem cruzar os braços nem as pernas e com as mãos apoiadas nas coxas. Coloque à sua frente, apoiado num suporte o arcano o Julgamento. Acenda com um fósforo uma vela vermelho escarlate, que é a que corresponde ao arcano, e num queimador coloque algumas gotas de essência de olíbano, pois este é o seu perfume.

Observe, demoradamente, o arcano e procure concentrar-se em intensificar todas as formas e as cores. Depois de conseguido, visualize como o arcano aumenta lentamente até que a imagem ocupe todo o seu espaço visual.

Fixe a sua atenção na textura da terra da qual surgem três corpos, duas mulheres e um homem. Concentre-se no arco-íris que circunda a luz de uma nova aurora e nos três trompetes que, com o seu som, despertam os que jaziam sob a terra. Agora dirija a sua consciência para a luz do fundo do arcano. Deixe-se deslumbrar até que o habitual formigueiro na testa o/a obrigue a fechar os olhos, e projecte-se no interior do arcano. Ali, identifique-se com a figura da mulher ou do homem, dependendo do seu sexo, e sinta como a terra estremece aos som dos trompetes celestiais.

Identifique esse som: é o OM. Sinta a sua vibração na base da sua coluna vertebral, como limpa o seu chakra básico, equilibra-o emocionalmente e proporciona-lhe capacidade reflexiva. Soa de novo o trompete e o OM vibra no chakra do seu umbigo, equilibrando e estimulando a sua decisão.
Pela terceira vez soa o OM, mas desta vez dirige-se ao seu plexo solar, equilibrando-o também e activando o seu sentido de prosperidade.

Um novo toque de trompete consegue que o OM emitido vibre na sua glândula do timo, proporcionando-lhe equilíbrio, revitalizando todo o organismo e estimulando o sentimento do amor. Pela quinta vez, o som OM é emitido pelo trompete e incide sobre a sua garganta, despertando a sua capacidade para falar e comunicar de maneira adequada.

Novamente o trompete emite o OM que, desta vez, actuará sobre o seu sobrolho e equilibrará e estimulará a sua glândula pineal e, com ela, a inteligência superior. Finalmente, o trompete emitirá o sétimo OM, que equilibrará o seu chakra coronário desenvolvendo em si a verdadeira espiritualidade.

Agora sinta os seus chakras completamente equilibrados e despertos, e sinta o modo como a vibração energética do OM, emitida pelo trompete do espírito, percorre todo o seu corpo. Já pode dar um passo atrás e concluir a sessão de meditação.

Função do arcano:- Equilíbrio emocional.
Representa:- A realização. Transcender o plano mental e deter o mundo. O sentido da graça ou de culpa, de beleza ou de fealdade.
Desperta:- Conceitos inovadores. Ruptura de esquemas. Construção.
Desenvolve:- A compreensão da realidade. A capacidade de amputar a gangrena da personalidade e reconstruir um homem novo.