12 de março de 2009

Lenda do sinal do céu

Esta imagem do Castelo de Alenquer foi recolhida na net.
Lendas de Portugal segundo Gentil Marques.
D Gualdim, na semiobscuridade da sua cela, encontrava-se em profunda meditação. O seu corpo recuperava da tensão em que tinha andado durante a difícil conquista de Lisboa. De joelhos em terra, com o seu rosto escondido nas mãos, o corpo levemente inclinado para a frente, parecia a verdadeira estátua da oração.
Mas, subitamente, os seus sentidos entraram em alerta. D. Gualdim estremeceu pois teve a sensação de que não estava só e, retirando as mão do rosto, ergueu-se lentamente, apercebendo-se, apesar da penumbra da presença da figura magra e alta do superior do convento.
O superior, numa voz baixa e pausada, elucidou:
- Perdoai irmão, não queria interromper as vossas orações mas... tenho algo de importante a dizer-vos.
- Falai sem receio. Estava apenas dando graças a Deus pela bênção deste silêncio depois do tremendo inferno que foi a conquista de Lisboa.
- A minha presença aqui deve-se a um desejo do nosso rei D. Afonso Henriques. O sangue ferve-lhe nas veias e quer sair de novo a campo.
- Quando precisa el-rei de mim?
- Amanhã ao romper do dia.
- Lá estarei com os meus homens.
E, silenciosamente, como chegar, o superior saiu da cela de D. Gualdim.
Só, este ficou um momento imóvel, olhando um ponto vago no espaço. Depois, os seus joelhos voltaram a roçar a terra, o seu busto esguio tornou a encurvar-se e as suas mãos, mais uma vez, cobriram o seu rosto, de olhar brilhante e feições vincadas.
Em volta, o silêncio continuou silêncio e a penumbra, penumbra.

No horizonte, uma nesga de luz impôs-se às trevas da noite. Madrugada fresca de S. João. Em massa ainda indefinida caminhava o exército lusitano. D. Afonso Henriques mandou fazer alto.
- Aproximai-vos D. Guadim!
- Dizei, Senhor.
- Vou deixar aqui o exército sob as ordens de D. Ordonho. Preciso, primeiramente de fazer um reconhecimento.
- Vós? - admirou-se o cavaleiro - Será perigoso! Ficai que eu me sentirei honrado se puder fazer esse reconhecimento em vosso lugar!
Franziu o rei as sobrancelhas espessas.
- Disse-vos que desejo fazer um reconhecimento. E não lego em ninguém esse meu desejo! Sairei do campo disfarçado e acompanhado apenas por vós, d: Gualdim...
- É grande a honra que me concedeis, Senhor! Tão grande como a responsabilidade de vos trazer, de novo, são e salvo.
- Nada temeis! Quero apenas chegar junto do castelo dos mouros antes que o sol rompa. Preciso de descer para Alcácer, e não quero deixar mal defendidas as nossas costas, com focos que poderão perder-nos. Este castelo terá de ser nosso. Mas preciso saber se chegou a hora de o tomar. Aprontai-vos e segui-me... Tenho pressa!

A areia ensaibrada rangeu sob o metal do calçado do rei português. D. Afonso Henriques olhava o castelo, sobranceiro e sereno. Tudo parecia calmo à volta.
- Parece até um castelo de mouros encantados! Não se vê ninguém...
- Custa a crer que nem tenham vigias!
- Quem sabe?
- Cuidado, Senhor! Descobri além um vulto a mover-se...
O rei de Portugal franziu as sobrancelhas, numa concentração, enquanto dizia como se falasse consigo próprio:
- Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!
D. Gualdim guardara silêncio. Mas vendo que o vulto corria agora direito a eles, preveniu:
- Descobriram-nos! Vão dar o alarme!
O rei semicerrou os olhos, numa tentativa de ver melhor na meia-luz da madrugada nascente.
- Reparai bem, D. Gualdim! O vulto que corre para nós... é o de um cão enorme!
O cavaleiro-monge concentro os seus sentidos nesse vulto que corria direito a eles e se distinguia já perfeitamente.
- Assim é, meu Senhor! Mas nunca vi um alão (nome que se dava antigamente aos cães de caça) tão forte e grande! Teremos de o matar antes que dê o alarme...
Já o cão se encaminhava em direcção ao rei de Portugal. D. Gualdim gritou quase ao mesmo tempo que puxava da espada:
- Cuidado, Senhor!
Mas D. Afonso Henriques suspendeu-lhe o gesto. O alão mal chegou junto do rei começara a lamber-lhe as mãos, dando saltos de imensa e estranha alegria. D. Afonso Henriques sorriu:
- Reparai, D. Gualdim: o alão rende-me vassalagem! Recebe-me como a um libertador, ou como se me conhecesse há muito... Deve ser este o sinal do Céu! O avanço das nossas tropas far-se-à imediatamente e o castelo será nosso. O alão o quer!
Como num eco, D. Gualdim repetiu:
- O alão quer!

E desta frase lendária que ficou para todos os tempos, resultou a conquista de mais uma praça e o nome da terra que hoje se chama Alenquer. Confirmando o que narra a lenda, as armas da vila de Alenquer são: em campo de prata, um cão grande, pardo, preso a uma árvore com grilhão de ouro.

9 de março de 2009

XII - Enforcado

Esta carta pertence ao baralho de Tarot Ancestral Path de Julie Cuccia-Wats publicado por US Games em 1996.
Quando se pensa na carta do Enforcado, vem-nos logo à ideia a sensação de imobilidade que pode ser vivida, por exemplo, durante uma doença (esta é uma situação que a carta pode representar). Jung dizia acerca desta carta "Ficar pendurado pode (...) até ser um hanging on positivo para avaliação que, por um lado, significa uma dificuldade aparentemente insuperável mas, por outro, representa uma situação única que requer o maior esforço, e através do qual a humanidade é chamada à acção"
Esta carta pode mostrar-nos uma longa fase que nos irá levar à necessidade de encontrar uma situação totalmente nova. Se reflectirmos tempo suficiente sobre um problema apenas a calma e essa reflexão paciente nos irá fazer entender onde errámos ou do que desistimos.
Com esta carta sentimo-nos presos a uma situação que não pode continuar e faz-nos ver a necessidade de mudar o nosso modo de pensar para conseguirmos compreender o que há-de mudar para que a situação se venha a resolver.
Os alquimistas pensavam que, para libertar a energia dos desejos e transformá-la em energia espiritual deviam colocar-se de cabeça para baixo pois assim a energia dos genitais era empurrada para o cérebro. Se repararmos numa carta do enforcado tradicional, a sua expressão é de paz e compreensão.
Podemos dizer assim que o Dependurado ou Enforcado representa portanto, espera, um sacrifício voluntário, provas que têm que ser ultrapassadas antes de se iniciar um novo ciclo. Eu achei genial a ideia de Julia Cuccia-Wats ao representar esta carta do modo como eu aqui a coloquei.
Não existe meditação para a carta do Enforcado porque ela é a própria meditação.
Afirmações: - Aceito que nem sempre atinjo os resultados que quero sem fazer sacrifícios, por isso uso de todas as minhas forças e energias.
- Eu sou vontade.
- Eu sei esperar o tempo certo.
- Eu conheço os meus limites e aceito-os.

8 de fevereiro de 2009

Precisa-se de matéria prima para construir um país



Eduardo Prado Coelho, antes de falecer em 25 de Agosto de 2007, deixou-nos esta reflexão sobre o país em que nascemos e em que vivemos:
Precisa-se de matéria-prima para construir um país (Eduardo Prado Coelho in Público)

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizem que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderiam ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço a um país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores de empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde as pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país onde a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?... MEDITE!

28 de dezembro de 2008

Lenda da que mal pica

Lendas de Portugal segundo Gentil Marques
Chegara o Inverno. E com ele o frio. E com ele a desolação. Em certa zona das Beiras, lá para o sul de Castelo Branco, havia um pequeno povoado onde vivia Aninhas, uma rapariguinha de ar aciganado, que punha tentações nos olhos dos homens.
Ora, uma noite, parou ali um emproado fidalgo, que se dirigiu sem demora, ao chefe do povoado.
- Maldito frio!... Acendei-me a lareira, depressa!... Depressa!... Não ouvis, velho imbecil?
Mas o outro era velho, de facto. E a muita idade não lhe consentia pressas...
- Vou já meu senhor, vou já... Nós também temos muito frio...
Altivo, arrogante, o fidalgo olhou o velho de alto a baixo, num ar de soberano desdém.
- Que me interessa o vosso frio? Quero apenas que se cumpram as minhas ordens, nada mais... Compreendeis? Sou eu o dono de todas estas terras!
E quedou-se, soberbo, no meio da sala.
Foi então que, atraída pelo volume e pela força das palavras, surgiu Aninhas, a neta do velho chefe do povoado.
- Deixe lá, avozinho. Eu vou tratar de tudo...
E sem olhar o outro sequer, acrescentou num ar de mal contida ironia.
- Este senhor fidalgo, certamente, vem muito apressado... e muito friorento... Coitadinho!
O visitante voltou-se para ela, surpreendido e desconfiado.
- Onde estavas escondida?... Ainda não te tinha visto...
Avançou, sorrindo, a tentar ser lisonjeiro.
- Que lindo palminho de cara tu tens...
E quis fazer-lhe uma festa. Mas a rapariga fugiu-lhe habilmente.
- Tire s mãos, senhor fidalgo... Olhe que pode sujá-las na minha cara...
Ele disfarçou a contrariedade com uma risada.
- Já vejo que és de força... Mas isso agrada-me, pequena... Estou habituado a domesticar as minhas éguas bravas...
Aninhas fingiu que não ouvia. Limitou-se a apontar para as chamas que começavam a crepitar.
- Pronto... A lareira já está acesa, senhor fidalgo... Pode chegar-se, para se aquecer...
Esquivou-se de novo à aproximação dele, e aconselhou, num tom meio sério, meio gaiato:
- Cautela com o fogo, senhor fidalgo, cautela...
Espicaçado no seu brio, o altivo e desdenhoso fidalgo deixou-se ficar por ali mais uns dias, cortejando a bela e esquiva Aninhas.
- Posso fazer de ti uma rapariga rica e feliz...
A rapariga riu-se:
- Ora, feliz já eu sou... E rica não preciso de o ser...
E ele aproximou-se mais e segredou-lhe:
- E se eu te raptasse... se fugíssemos para o meu palácio em Lisboa?...
Aninhas pôs-se subitamente séria.
- Creio que o melhor é não tentar, senhor fidalgo...
O fidalgo empertigou-se:
- Falarei então com o teu avô... Ele será mais compreensivo... e mais esperto do que tu, concerteza!
A rapariga encolheu os ombros. De descrença, ou de indiferença mas, o fidalgo não hesitou e abalou, resoluto, decidido a levar por diante a sua vontade.
Enganou-se porém, redondamente. A sua proposta desagradou por completo ao velho chefe do povoado, que chegou mesmo a irritar-se.
- Como? Pois o senhor atreve-se? Não, nós não somos dessa gente que o senhor julga... Oiça bem: a minha neta só casará com quem ela quiser... E eu não a troco, senhor fidalgo ou lá o que é, eu não a troco por todo o oiro do mundo.
Arfando de emoção por ter ido tão longe nas suas palavras, o velho chefe terminou com um convite bem explícito:
- Porque não se vai embora daqui, senhor fidalgo?... Quanto mais depressa melhor!
O outro voltou a encher-se de soberba ofendida. Endireitou-se, muito solene e a sua voz esganiçou-se, de raiva:
- Pois então escuta, velho idiota: hoje mesmo, tu e a tua neta sereis expulsos destas terras, que são minhas... Vós é que vos ireis embora! Não vos quero ver mais na minha frente!
O velho percebeu que se excedera e que ficaria a perder pois o outro, além de mais forte e poderoso, já só tinha pensamentos de vingança.
Num reflexo de medo, exclamou com voz trémula:
- Oh, senhor!... Que será da minha neta e de mim? Para onde iremos nós? Não leveis tão longe a vossa crueldade.
Ao fidalgo enfurecido, tudo lhe parecia insulto e, ao ouvir a palavra crueldade, a sua fúria cresceu e deu um safanão no velho que caiu por terra mas, não contente com isso e para poder saciar a sua raiva ainda acertou nas costas do velho com o seu chicote.
Aninhas, atraída pelo barulho entrou e, ao ver esta cena, abriu os olhos de espanto, de piedade mas, ao mesmo tempo de ódio.
- Ah, fidalgo vilão, haveis de pagar caro a vossa ruindade!
Mas, desta vez, o fidalgo voltou-lhe as costas sem a olhar sequer. E as suas ordens soaram enérgicas e definitivas:
- Quero que esta gente abandone as minhas terras... hoje mesmo!... O velho, a rapariga e todos os seus companheiros. Não os quero ver mais aqui!... E se for necessário, empregar a força para os fazer partir.
Não foi necessário usar de violência. Todos abandonaram as velhas casas, nesse mesmo dia... Andaram muito, muito, segundo se diz, passaram fome e frio mas não renunciaram.
Um dia chegaram perto da Ermida de Nossa Senhora das Neves, estavam exaustos e, de comum acordo, resolveram ficar ali porém, outra calamidade lhes surgiu: uma praga de formigas!
O velho chefe, cada vez mais adoentado, foi o primeiro a confessar o seu desânimo.
- Oh, avozinho, não perca a fé!... Deixe lá. Temos de reagir, é preciso continuar a luta!
E voltando-se para os outros:
- Não podemos ficar aqui... Temos que procurar outro local. Desta vez, não seremos nós a procurar o local que nos interessa... Deixemos essa missão às nossas vaquinhas... Onde elas se sentirem bem, aí nós ficaremos para sempre!
Ao soarem as avé-marias na ermidinha distante, soltaram as vacas e deixaram-nas ir, à vontade pelos campos fora...
Conta-se que foi Aninhas a primeira a chegar ao local onde as vacas pastavam tranquilamente.
- Venham todos! Isto é magnífico... Parece um céu aberto!... Vejam como as nossas vaquinhas estão contentes... Sabem porquê? Porque aqui as formigas são bem poucas... E qualquer destas formigas, como podem ver, mal pica...
No meu do contentamento geral, a voz do velho chefe, que todos respeitavam, ergueu-se segura e profética:
- Pois já que assim é... esta nossa terra há-de ficar a chamar-se Malpica!

E desse modo nasceu na Lenda e passou à História a pitoresca e bonita aldeia da Beira baixa, que primeiramente se chamou apenas Malpica - e agora e chama Malpica do Tejo.
E consta ainda, na memória do povo, que o tal fidalgo atrevido e enfatuado veio a acabar de morte horrorosa, mordido e envenenado por umas formigas terríveis, que ninguém chegou a saber de onde tinham vindo...

16 de dezembro de 2008

XI - Força

Esta carta que aqui vos apresento, pertence ao Tarot da Esfinge de Silvania Alasia e publicado por Lo Scarabeo em 1998.
Rider Waite resolveu trocar a posição da carta da Força, com a da carta da Justiça, colocando esta na posição VIII e a Justiça na posição XI. Quando foi questionado para que contasse a razão desta troca, respondeu: "Por motivos que me satisfazem, esta carta foi trocada pela da Justiça que, geralmente, tem o número VIII".
Tanto Waite, como Paul Foster Case e Aleister Crowley colocaram a Força com o 8 e a Justiça como o 11, provavelmente seguindo a Ordem da Aurora Dourada cujo baralho secreto também tem estas cartas trocadas.
Não façamos julgamentos de situações que não conhecemos. É importante é entender o que nos transmite a carta da Força e a carta da Justiça.
A carta da Força baseia-se no segredo da profunda harmonia interior, há aqui uma reconciliação do homem civilizado com a sua natureza animal.
Esta carta apresenta uma mulher a abrir a boca de um leão apenas com as duas mãos. Ora, não seria pela força que a mulher conseguiria abrir a boca ao leão, seria sim, com inteligência, com coragem, com força interior, com o magnetismo pessoal, a compreensão mas nunca com força física.
Exercícios de Meditação com a carta "A Força":
Objectivos - Despertar a força interior e a coragem.
Este é o Arcano que nos mostra o impulso, a coragem, a força interior, o poder mental e o magnetismo que existe dentro de cada um de nós e que é capaz de vencer todos os obstáculos.
Procure um horário em que sabe que não será interrompido por ninguém. Desligue o telefone ou o telemóvel.
Sobre uma mesa coloque então a carta número XI, a Força. Se preferir, acenda ao lado um incenso, coloque uma música suave e relaxante.
Sente-se confortavelmente. Num papel escreva uma afirmação relacionada com o objectivo que pretende atingir, como por exemplo: "Eu guio a minha vida com coragem e determinação"; "Eu tenho a força necessária para vencer cada obstáculo da minha vida, transformando cada situação numa aprendizagem que aprofunda o meu discernimento e eleva o meu nível de consciência".
Pode segurar o cristal olho de tigre na sua mão. Inicie o processo de relaxamento, fazendo os exercícios respiratórios até se sentir relaxado e em paz. Feche os olhos, sinta a paz que o cerca, deixe-se envolver pelo aroma suave do incenso, deixe seu corpo relaxar mais e mais.
Abra os olhos e olhe atentamente para a carta A Força durante cerca de 3 minutos. Concentre-se apenas na imagem e deixe fluir o significado da carta, força, coragem, determinação.
Feche novamente os olhos para iniciar a visualização criativa.
Imagine-se numa praia de uma areia branca e um mar imenso, azul à sua frente. Sinta-se cada vez mais relaxado, caminhe por essa praia e entre na floresta que o cerca. Caminhe confiante. Ao longe, encontra um jardim muito bonito. Vá caminhando por ele, aprecie as flores e os seus aromas, o céu azul, o brilho do Sol, o canto melodioso dos pássaros. à sua frente vê um pequeno lago, ao pé do lago avista uma mulher muito bonita, vestida de branco, que passeia calmamente ao pé do lago. Ao seu lado, caminha um leão forte e jovem; ela domina-o com amor. Vá-se aproximando.
A jovem sorri-lhe, estende-lhe a mão e convida-o para um passeio pelo jardim. Aceite, aproxime-se do leão e da jovem e mantenha-se ao seu lado. Caminhe com confiança, deixe-se ligar ao leão; receba a sua energia.
Agora tem em si a força e a capacidade de dominar os seus medos, instintos e fraquezas. Não recue, a coragem está dentro de si, você será capaz de fazer as suas escolhas sem medo e com muito amor e respeito por si próprio.
Respire fundo, abra os olhos e volte a olhar para a carta A Força. Leia novamente as afirmações que escreveu no princípio do exercício. Coloque este papel ao pé de uma cama e todos os dias, ao acordar, releia as afirmações que escreveu, em voz alta.
Sempre que sentir necessidade, pegue na carta e olhe atentamente para ela durante uns minutos. Deixe-se encher da energia poderosa da carta A Força.
Afirmações (conselhos) para a Força
- Com a coragem e força interior, venço todos os obstáculos, confio e uso de toda a minha coragem.
- Eu sou a inteligência.
- Eu sou o sucesso.
- Eu sou o poder interior.
- Eu sou a harmonia e o equilíbrio.

Assim, sim

                                                         Destas touradas é que eu gosto. Os ginastas já sabem com o que contam, que dever ser semelhante aos aleijões que podem fazer em qualquer sarau de ginástica. E, se vão para lá é porque querem. Ninguém os obriga.
Apresentam assim, um trabalho gracioso, elegante e agradável aos olhos. Não se vê nada espetado no touro, pode só sair da arena cansado, mas espetado e sangrado, não sai de certeza e muito menos morto.
Depois de morto ninguém lhe vai cortar orelhas ou rabos para dar de prémio a quem andou ali a ferir o animal.
Ele (touro) quando foi para a arena não sabia o que lhe ia acontecer. Mas os homens que lá estavam, sabiam todos, o que estavam preparados para lhe fazer.
Não me venham cá dizer que o touro que é bravo, não sente... e sente a picada da mosca pois sabe perfeitamente ir ao sítio certo, enxotá-la com o rabo.
Isto era uma conversa que daria "pano para mangas" como se costuma dizer quando nos lembramos de aficcionados que mandam e-mails com "não abandone o seu cão, o seu gato..."
E pessoas que dizem que não gostam de touradas mas adoram caçar? Ainda não se aperceberam que o homem é o único animal (que se diz racional) que mata por prazer?
Por estas touradas apresentadas neste filme, torno-me aficcionada incondicional.

9 de dezembro de 2008

Lenda de Cegovim


Lendas de Portugal segundo Gentil Marques.
Ora aconteceu assim mesmo. Tal e qual como reza a história. Tal e qual como conta o povo. 
Nos seus primeiros tempos de casada com El-Rei D. Dinis, a jovem e formosa Rainha Dona Isabel - à qual chamaram mais tarde "Rainha entre as Santas e santa entre as Rainhas" - foi viver com a Corte para Leiria.
E ali, nesse cenário de sonho o tempo ia passando entre folguedos e jogos poéticos...
Dona Isabel era então ainda muito nova, mas já revelava o seu amor pelos pobres e pelos humildes, levando àqueles que sofriam a consolação duma palavra ou de um gesto. Em vez de ficar reclinada, como o rei, aspirando voluptuosamente o perfume das flores - ela empregava o tempo visitando os que mais precisavam do seu auxílio. E foi no caminho duma dessas visitas que, certa manhã, encontrou nas voltas de um atalho um mendigo leproso, sujo e repelente.
Mal o viu, o homem afastou-se instintivamente. Mas pediu, com voz trémula:
- Senhora, atirai-me uma esmola... porque eu morro de fome e de cansaço.
Ia só, a Rainha. Contudo, nem por um instante sequer hesitou em parar. E parou, e perguntou, com ternura:
- Donde vindes, pobre homem? Pareceis-me bem doente... Aproximai-vos...
Todavia ele não se aproximou. Antes, pelo contrário, recuou. Mais e mais.
- Não, senhora, não... Isso não!... Não sei quem sois... mas não me toqueis!... Bem vedes... A minha doença é praga maldita que não perdoa a ninguém.
Dona Isabel suspirou. A miséria humana atormentava-a tanto, tanto... Ah, se ela pudesse!...
- Parai, pobre velho... Fugis, para quê?
- Para não vos pegar o meu mal, senhora... Já vi que sois boa!
E o mendigo fazendo alarde das suas últimas forças, procurava afastar-se o mais rapidamente possível... Porém, as pernas fraquejaram e ele caiu de borco no chão poeirento. Sem hesitar, Dona Isabel correu para junto do velho.
- Estais ferido?
- Oh, senhora, por quem sois, rogo que vos afasteis!... Sinto-me morrer aos poucos... mas fugi, fugi de mim!... Eu sou maldito!
- Não sejais tonto, pobre homem... Vinde comigo!
E perante o olhar estupefacto do velho mendigo, a Rainha acrescentou, numa voz meiga mas sem réplica:
- Amparai-vos ao meu braço!
Apenas um gemido saiu dos lábios trémulos do homem. mas já ela, segurando-o e amparando-o, lhe dizia, sempre a sorrir:
- Podeis fazer força... O meu braço também é forte...

E assim andaram algum tempo. Estranho par, na verdade! Pelo atalho cheio de pedras e de poeira, um velho mendigo, leproso arrastando-se encostado ao braço duma rainha!
Enquanto andavam, Dona Isabel sentia que a vida dele se estava a extinguir, pouco a pouco... Sim, o mal do pobre homem, além da lepra que o devorava implacavelmente, devia ser fome... Uma fome terrível, decerto... E era preciso salvá-lo!
De súbito, parou. Olhou em redor. Sentiu-se aturdida, desorientada. E, sem que o velho a pudesse escutar, rezou.
- Oh, meu Deus!... Ajudai-me! Não vejo o que possa dar a este pobre homem... A não ser... A não ser estas pequenas amoras que aqui estão perto de mim... Mas as amoras não matam a fome...
Fez uma pausa. Os seus olhos prenderam-se mais às amoras. Teve um sopro íntimo de inspiração.
- Quem sabe? O poder de Deus é grande, é infinito!... Quem sabe se Ele não pôs as amoras no meu caminho... apenas para me experimentar?
E sem mais hesitação colheu uma mão cheia de amoras e deu-as ao velho mendigo.
- Tomai... Tomai nas vossas mãos... Comei estas amoras!
Espantado, indeciso, arfando de cansaço e de emoção por tudo o que lhe acontecia tão inesperadamente, ele ainda perguntou:
- Achais que eu possa comer estas amoras... senhora?... No meu estado?...
Prontamente, a Rainha respondeu:
- Podeis, sim!... Podeis e deveis... Confiai na vontade de Deus!
Embora sem grande entusiasmo, o mendigo foi comendo devagar as amoras que a Rainha lhe oferecera... E à medida que as comia, decerto por efeito sobrenatural, ganhava novas energias, sentia-se mais forte.
- Senhora! Senhora! Isto é um milagre!... Quem sois vós senhora?
E endireitava-se já sem necessidade de se apoiar ao braço da Rainha. Desaparecera o cansaço por completo. Restava apenas a emoção.
- Senhora, quem sois vós? - insistiu ele.
- Sou uma mulher que tem fé.
Depois, olhando-o e sorrindo-lhe, acentuou:
- Se tiverdes fé, também as vossas feridas hão-se sarar!
A medo, o homem olhou as chagas da lepra e voltou a fitar a mulher que encontrara em seu caminho, nessa manhã. Ela agora parecia ainda mais jovem e formosa.
- Olhai... Ou eu me engano muito... ou as vossas feridas estão a desaparecer... Vede!
E perante o olhar cada vez mais atónito do mendigo, à medida que as mãos de Dona Isabel iam passando suavemente sobre as feridas, estas desapareciam, fechando-se incompreensivelmente.
Sem saber que pensar, sem saber que fazer, o homem voltou a gaguejar:
- Senhora... as vossas mãos... fazem milagres!
- Não são as minhas mãos que fazem milagres... São as amoras que Deus espalhou por estes caminhos!
Segundo a antiga história que o povo conta, tal como muitos outros já tinham ficado seus fiéis vassalos, também o mendigo, curado e maravilhado, se tornou um fervoroso servo daquela que o salvara e que ele veio a descobrir, com pasmo, ser a sua própria Rainha!
A partir de então, o pobre homem desejava somente poder pagar um dia, de qualquer modo, a sua enorme dívida de gratidão.

Andava ele, já altas horas, a terminar um carregamento de lenha, quando viu passar um vulto embuçado, que lhe pareceu de alguém bastante conhecido...
Seguiu-o discretamente, aproveitando os recantos do campo - que para ele não tinha segredos - e acabou por descobrir que se tratava de El-Rei D. Dinis, numa das suas aventuras de amor.
O homem não perdeu mais tempo. Com a maior rapidez que lhe foi possível, correu ao encontro da Rainha, então instalada em Monte Real, a pouca distância dali. E, conseguindo ser levado imediatamente à sua presença, confessou sem delongas nem hesitações:
- Senhora, minha Rainha, perdoai-me... mas sei que El-Rei vosso esposo vos atraiçoa numa aldeia vizinha!
- Que dizeis, meu bom amigo? Estais certo disso?
- Absolutamente certo! Vi-o, com os meus próprios olhos... Ia embuçado... Eu segui-o até à pequena aldeia para onde El-Rei se dirigia... Mas, ficai sabendo, Senhora, que vosso esposo sai muitas vezes assim, às escuras... Mal distingue o caminho, quando volta!
- Pois bem... Escutai... esta noite, ireis vós e alguns homens mais que escolherdes iluminar o caminho, quando El-Rei voltar... Sou eu que vos ordeno, entendeis?
- As vossas ordens serão cumpridas, senhora minha Rainha!
Mas antes que ele se afastasse, Dona Isabel, acrescentou:
- Quando tudo estiver pronto, avisai-me... Eu também quero estar junto de vós.

E, na verdade, quando El-Rei, nessa madrugada escura, voltava da sua habitual aventura de amor, encontrou-se, de súbito, diante dum caminho estranhamente iluminado.
O seu primeiro gesto foi de furor.
- Que fazeis aqui, sandeus? Para que servem estes archotes?
Mas logo se aquietou, varado de surpresa. Vindo do meio dos homens dos archotes, avançou para ele a própria Rainha, que lhe respondeu:
- Estas luzes servem para vos iluminar o caminho, Senhor meu Rei... Vindes cego certamente pelo negrume da noite...
D. Dinis compreendeu. Baixou a cabeça. Quando a ergueu de novo, sorria também.
- Tendes razão, Senhora... Cego vim... E por isso vos agradeço terdes tão bela lembrança... Voltemos a Monte Real!
Cortejo singular, esse, a estender-se pelo caminho. À frente El-Rei D. Dinis e a Rainha Dona Isabel. Ambos calados. Ambos pensativos. Ambos iluminados pelos archotes que os homens erguiam nas suas mãos rudes.
De qualquer modo, fosse como fosse, a notícia propagou-se e no dia seguinte não se falava de outra coisa. De tal modo, que D. Dinis resolveu procurar a Rainha nos seus aposentos:
- Senhora... Fala-se demais no caso de ontem à noite...
- E de quem é a culpa, real Senhor?
- Bem sei que é minha... E por ser assim, venho trazer uma novidade que decerto vos agradará...
- Dizei então...
- Daqui em diante vou chamar àquele caminho... o caminho de Cegovim.
- Muito bem, real Senhor.
- Fostes vós que me destes a inspiração! ... De facto, cego vim... até encontrar os vossos archotes... Vós o dissestes... E eu não esqueci.
- Prouvera a Deus que não o voltasses a esquecer!
- Sim, eu andava cego... Perdoai-me!
- Estais perdoado...
E convidando-o a sentar-se junto dela, numa banqueta de seda, Dona Isabel segredou-lhe:
- Não vos esqueceis, Dinis... Aquele é o caminho de Cegovim... E lá para trás fica a aldeia do Amor!...
Riram ambos. As pazes estavam feitas, mais uma vez. Feliz, tranquilo, jovial, El-Rei acrescentou, rindo ainda:
- Isso mesmo: o caminho de Cegovim... e a aldeia do Amor... Sois a mais inteligente das mulheres... e das esposas!
Não consta que, pelo menos nos tempos mais chegados e naquele mesmo local, D. Dinis voltasse a andar pelos caminhos, de noite, às ocultas da Rainha...
E então, ali a uns dez quilómetros de Leiria, ainda existe a pequena aldeia de Amor. E lá está a ligá-la a Monte Real o caminho de Cegovim (actualmente penso que mais conhecida por Segovim ou Segodim)

NOTA: Mas, segundo reza a História, acho que D. Dinis rapidamente esqueceu a promessa. Os galanteadores são muito mentirosos.......

8 de dezembro de 2008

X- Roda da Fortuna

Esta carta pertence ao Tarot de Visconti-Sforza. Não se sabe quem o desenhou mas foi publicado por US Games em 1978.
A Roda da fortuna mais tradicional e também a de interpretação mais recente, tem a sua origem numa lenda medieval. Nessa época da história a Igreja católica considerava que o orgulho era um dos maiores pecados porque entendiam que o orgulhosos se colocaria sempre acima de Cristo portanto, uma lição para o orgulhoso seria perder todo o seu poder.
Uma das muitas versões da Lenda do Rei Artur conta que ele vê, em sonhos, na véspera da sua batalha final, um rei rico e poderoso, sentado no cimo de uma roda mas, de repente, a deusa Fortuna gira a roda e o rei poderoso que estava no topo, fica esmagado por baixo da roda.
No entanto, esta Roda da Fortuna tem uma origem muito mais antiga em que a Fortuna representava a Grande deusa e o rei a perder o trono era um facto pois, todos os anos, no meio do Inverno, as sacerdotisas simbolicamente sacrificavam o rei e substituíam-no por outro, dando a entender que a Primavera voltaria a chegar e que a Roda representaria toda a espécie de ciclos de vida.
De um modo muito resumido podemos olhar para a Roda da Fortuna, pelo menos, de duas maneiras: numa delas podemos ver os altos e baixos que sempre encontramos no percurso da nossa vida e que nos amadurecem com o aumentar do nosso conhecimento mas, também podemos ver aqui as sucessivas reencarnações em busca do caminho da iluminação.
Sendo assim, numa tiragem podemos ver na Roda da Fortuna o aviso que nos vamos aproximar de uma época de grandes mudanças que se as aceitarmos e compreendermos só nos vão ajudar no nosso desenvolvimento e crescimento.
Exercício de Meditação:- Vá até um lugar sossegado onde tenha a certeza que não irá ser perturbado. Coloque à sua frente a carta da Roda da Fortuna, fixe por uns momentos a sua atenção na carta. Olhe atentamente para todos os pormenores: para cada uma das figuras que estão presentes na Roda, para o centro dessa mesma Roda. Inicie uma série de respirações até se sentir completamente relaxado.
A seguir tente pensar nos seus conflitos ou problemas que o envolvem ou afectam actualmente.
Feche os olhos, solte a sua mente e tente ver os seus problemas como se estivesse a assistir a um filme onde é apenas o espectador. Visualize os personagens envolvidos. Para cada uma escolha uma figura do Tarot que represente cada pessoa ou situação na sua vida.
Visualize um cenário. Onde está? O que sente? Qual é a história? E como acaba?
Visualize agora a Roda. Em que sentido gira? Que sentimentos lhe traz a imagem que está por cima?
Aproxime-se e olhe atentamente para a figura do centro. Não faça perguntas, limite-se a olhar. Começa agora a sentir uma calma profunda... olhe atentamente para o movimento do aro da roda... começa a sentir-se cheio de energia e completamente revitalizado com a vida.
Procure descobrir no movimento da roda um fio de sentido para a sua vida. A roda gira, gira assim como a vida. Sente-se cheio de energia para resolver qualquer obstáculo, problema ou situação da sua vida.
Respire fundo, aos poucos desvaneça a imagem da roda e tudo o que criou. Abra os olhos, se sentir necessidade, pegue num papel e escreva tudo, o que sentiu, o que acha que deve fazer, enfim, escreva o que lhe apetecer mesmo que no momento ache que não tem muito sentido.
Nos dias seguintes leia o que escreveu. Esta carta costuma enviar-nos respostas claras desta maneira, encontrando as respostas que não se viam no momento.
Afirmações (conselhos) para a Roda da Fortuna:
- Adapto-me a todas as mudanças que ocorrem de forma serena. Deixo as forças do destino agirem sem medo do futuro.
- Eu sou a capacidade de mudar.
- Eu sou o criador do meu próprio destino.
- Eu sou a eterna energia em movimento.